quarta-feira, 20 de junho de 2012

Copo de plástico, teto de vidro, boca de lixo e (re/im)posição hormonal


A tia está no bar. E o bar nela. Peremptoriamente.
Nem precisa  frequentar tal estabelecimento para honrar o título.
Ao primeiro pigarro, acompanhado de um approach depreciativo revestido de hormônios:
- Uhm, esse aí é gostosinho. 
(daqueles comentários incipientemente obscenos, maliciosamente calculados) 
O veredito é dito. O copo, virado.
 A moral, varrida mais uma vez.
A senhorita, acima dos 30, beirando os 40 ou aos 20 com mentalidade de 60, insiste em galanteios sem fundamento. 
E no rouge carmim.
O próximo tópico do noticiário local faz com que ela troque de foco.
Uma crise política qualquer ou um escândalo midiático são tão saborosos quanto os galego-alvos. 
A gordura trans acumula na cintura como as histórias de frustrações.Abafadas, entretanto, pelo sorriso escrachado.
A gargalhada reverbera tanto quanto suas atitudes, feitas a passos cambaleantes.  
Com vários nomes, essa mulher se escora neste balcão virtual para contar mais um caso.

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